Todos aqueles que lidam com alguma forma de impressão sabem que a tinta é um fator importante para a sua qualidade, e o primeiro item que se vê. Mas, hoje, não são apenas os fatores visíveis que pesam na balança. É preciso saber o que o cliente precisa para atender o ‘end user’, que por sua vez deve atender o seu consumidor a contento, algo que está modificando o perfil da indústria gráfica, principalmente nos últimos 10 anos. É nesse contexto que os serviços ganham peso na atuação da Sun Chemical, empresa do DIC Group, líder mundial e nacional no fornecimento de tintas de impressão, que emprega 12.000 pessoas em todo o mundo e conta com centros de pesquisa em vários países.
Sabemos que uma empresa é feita de muitos ingredientes, e as pessoas são as mais importantes, no entanto, a assertiva nem sempre faz parte da realidade do dia a dia. A trajetória da Sun Chemical mostra a importância da gestão de pessoas e da liderança no sucesso de uma empresa e em sua capacidade de enfrentar adversidades; é o que mostra a revista embanews nesta entrevista com Luiz Carlos Lucietto, gerente geral da Sun Chemical do Brasil.
A Sun Chemical iniciou sua atuação no Brasil em 1992 através de uma representação de tintas offset. Em 1997 iniciou suas operações como Sun Chemical, atuando em dois segmentos distintos, o de tintas líquidas, através de uma operação In-Plant, e o de tintas offset, dando continuidade aos trabalhos daquela representação. Em 2000, após a aquisição da Supercor, a Sun Chemical consolidou-se no Brasil, aumentando seu portfólio de produtos, com três fábricas para produção nacional, duas localizadas no Rio de Janeiro, e uma, em São Paulo, além da unidade matriz, em São Paulo.
Luiz Carlos Lucietto, com 34 anos de experiência na área de tintas de impressão, começou sua carreira como técnico em 1976 numa empresa chamada Inmont, comprada posteriormente pela Basf, época em que cursava engenharia química. Atuou posteriormente na Supercor, como gerente industrial, e na Companhia Química, do grupo Renner. Em 1991, retornou à Supercor como Superintendente, responsável pela parte de tintas líquidas. Em 2000, a Sun Chemical comprou a Supercor, e nesse processo, o executivo passou a responder, além da parte técnica e industrial, pelos outros departamentos da empresa, assumindo em 2004 a gerência geral da Sun Chemical no Brasil.
Abrimos aqui um parêntesis para incluir o depoimento de um dos integrantes da equipe que ilustra a importância da liderança. “O Lucietto assumiu a empresa num período conturbado, em pleno processo de fusão e aquisição que envolveu três empresas, num momento de muitos conflitos e de resultados negativos. De 2000 a 2004, ele fez um trabalho de integração e transformou a empresa no que ela é hoje, com taxas de crescimento em que ninguém acreditava que seriam possíveis. Daí a empresa só foi crescendo, quebrando barreiras, criando uma equipe comprometida, em que todos vestem a camisa, não importa o risco.”
Essa mesma situação de urgência se repetiu no ano passado, nos dois primeiros meses de 2009, quando a crise econômica fez com que os resultados prenunciassem números difíceis naquele ano. O enfrentamento rápido da crise naquele momento foi crucial, e todo o processo, uma grande experiência e aprendizado.
Embanews: Em sua opinião, de que maneira a evolução das tintas está mudando o setor de impressão de embalagens de cartão e flexíveis?
Luiz Carlos Lucietto: Na verdade, a evolução das tintas acompanha as necessidades do mercado e do cliente. A mudança no perfil dos clientes, ‘end users’ e consumidores está causando uma grande transformação no mercado gráfico, tornando as empresas cada vez mais exigentes em relação à produtividade, redução de desperdícios e custos, e à sustentabilidade. Para acompanhar essa evolução, temos que estar envolvidos no processo do cliente. A Sun Chemical desenvolve um trabalho alinhado ao do cliente, atrelando serviços aos produtos. Acompanhamos o desempenho do produto na linha de produção do cliente, fazendo com que os serviços se tornem uma ferramenta para a sua competitividade.
Embanews: De que maneira os serviços contribuem para a competitividade do cliente?
Luiz Carlos Lucietto: Nas condições atuais do mercado, o foco exclusivo no produto torna a empresa apenas mais uma fornecedora, comparada por preço, mesmo que se tenha um produto de ponta para oferecer ao mercado. Os serviços envolvem muitas vezes a adaptação do produto às condições do cliente, seja na máquina, treinamento da mão de obra do cliente, que são parte dos serviços, atuação no qual a Sun Chemical é pioneira. Os nossos clientes sabem que terão o melhor produto, a segurança, os serviços, e percebem o valor que foi agregado, otimizando todo o seu processo, e em consequência reduzindo custos. A gama de serviços oferecida varia de acordo com o estágio de desenvolvimento em que se encontra cada cliente, de forma que ele consiga atingir seu objetivo a médio e longo prazo. As exigências do cliente passam pela rapidez no atendimento, uma qualidade constante e pela sustentabilidade, não só em relação aos produtos, mas também na gestão. Trabalhamos muito a parceria. Em várias empresas instalamos o ‘In plant’, sistema em que nossos funcionários trabalham nas instalações do cliente, totalmente envolvidos com o processo deles.
Embanews: Como as questões da segurança
alimentar e da sustentabilidade estão influenciando o setor de tintas de impressão?
Luiz Carlos Lucietto: Temos uma preocupação com a segurança alimentar que vem de longa data. Somos a primeira empresa do setor a se adequar às normas; trocamos certos pigmentos inorgânicos por orgânicos, não usamos alguns solventes, especificamente o toluol, e deixamos de usar certos plastificantes. O caminho da sustentabilidade é irreversível para a Sun Chemical. O evento que realizamos para apresentar no Brasil o Programa Sustentabilidade em Cores foi um marco, um compromisso com a sustentabilidade, quando trouxemos ao mercado as nossas ações nessa área e lançamos a tinta à base de óleo de soja. Sustentabilidade não é apenas produzir a tinta que não agrida o meio ambiente ou utilizar matérias-primas renováveis, mas é ter políticas sociais, ambientais e econômicas, que não apenas ‘ensinem a pescar’. Agora, é preciso garantir que o peixe esteja lá quando se quiser pescar. Acredito que esta seja uma boa definição de sustentabilidade.
Embanews: Como estão sendo as expectativas em relação à tinta à base de óleo de soja?
Luiz Carlos Lucietto: A aceitação está sendo excelente; primeiro pelo enfoque ambiental, e mais ainda, pela excelente performance técnica. A tinta à base de óleo de soja tem algumas vantagens em relação à maquinabilidade e uma estabilidade muito maior que as demais tintas. Na questão sustentável, a soja é uma matéria-prima renovável, ao contrário do óleo mineral, derivado do petróleo. A reciclabilidade dos impressos em tinta base óleo de soja é maior. O seu desenvolvimento é resultado de mais de dois anos de pesquisas da Sun Chemical e começa agora a ganhar participação de mercado. Muitas empresas já querem testar o produto. Na Europa, a substituição da tinta mineral pela vegetal é quase total e é uma tendência irreversível.
Embanews: O produto pode vir a ser produzido no Brasil?
Luiz Carlos Lucietto: No Brasil, estamos produzindo as bases pantone da linha de tintas base soja; já as tintas cromias (4 cores) estão sendo importadas. As tintas especiais são muito utilizadas no Brasil na cartonagem para perfumarias, produtos farmacêuticos, etc. As cromias, embora tenham produção menos complexa, estão sendo importadas por questão de escala, pois trata-se de uma tinta ‘worldclass’, utilizada em toda a Europa e Estados Unidos. Apesar das tonalidades se diferenciarem nas diversas regiões, elas podem ser corrigidas perfeitamente na fase do ‘prepress’.
Embanews: Como foi 2009 e quais são as perspectivas para 2010?
Luiz Carlos Lucietto: O ano passado foi muito atípico; os dois primeiros meses de 2009 foram terríveis, e seguiram os dois últimos meses de 2008, que já haviam sido ruins. Muitas gráficas simplesmente pararam as máquinas à espera de pedidos. Tivemos que repensar nossa estratégia. Em março, porém, os resultados foram excelentes, e o segundo semestre foi muito bom, o que nos dá uma perspectiva positiva para 2010, não só para o nosso setor, mas para o Brasil. Não tenho dúvidas de que se nos mantivermos no prumo correto, os próximos anos também serão muito bons. A Copa do Mundo, as Olimpíadas deram uma injeção de ânimo em todo o Brasil. Para o nosso mercado estamos prevendo um crescimento de 20% a 25% nos próximos 5 anos. Sou muito otimista e acredito muito no potencial do nosso país.
Embanews: Há investimentos programados?
Luiz Carlos Lucietto: O principal investimento a ser feito é na racionalização das operações fabris, em equipamentos para o aumento da capacidade de produção, que devem ser instalados a partir de março. Com isso esperamos um aumento mínimo de capacidade de 30% da produção.
Embanews: Quais são seus desafios?
Luiz Carlos Lucietto: Eu vou falar de um sonho: ver todo o meu time crescer; esse é o meu objetivo de carreira, porque são pessoas de potencial, comprometidas, e que acreditam em mim. Outra meta é fazer com que essas pessoas tenham prazer em trabalhar nessa empresa, que percebam que podem crescer, profissional e pessoalmente, que saibam que tem alguém olhando para o seu futuro e está lhes dando a oportunidade de crescer. Eu tive essa oportunidade e gostaria que todos tivessem também, pois são essas pessoas que fazem a empresa ser o que é.