Vamos sentir sua falta
Um guerreiro. É assim que o víamos e como o próprio Roberto Antonio Hiraishi, editor e fundador da revista embanews, enfrentava todos os desafios com que se deparava. Hiraishi faleceu no dia 27 de agosto, aos 63 anos, sua vida, porém, foi intensa e frutífera. Foi com o seu espírito de luta que ele criou e consolidou a revista embanews, publicação que fez 16 anos no mercado, coroando uma carreira que completaria 50 anos este ano.
Ele começou cedo; aos 15 anos, na agência Lintas, iniciava seu primeiro contato com uma carreira sempre voltada para a comunicação. Filho de imigrantes japoneses, foi dos poucos de sua geração a ingressar em um campo profissional ainda incomum para os jovens descendentes. Autodidata incansável, ele tinha sede de aprender.
Os 15 anos trabalhados na Editora Abril foram para ele sua verdadeira escola, como ele não deixava de frisar.
Ali, ele percorreu praticamente todos os departamentos, da administração, ao paste-up, à reportagem, à diagramação, e tudo o que compõe o dia a dia de uma publicação. Conheceu e trabalhou com grandes profissionais do jornalismo e participou de importantes publicações. Trabalhou também na Fundação Roberto Marinho no início do Telecurso 2º Grau como colaborador, e na TV Globo, e foi diretor operacional e vice-presidente da Quimigráfica, empresa com sede no Rio de Janeiro, um dos maiores bureaus de fotolito no eixo Rio-São Paulo.
Nos intervalos de sua passagem como executivo entre uma e outra empresa, sua carreira solo foi aos poucos ganhando forma e consistência, revelando com todo o vigor sua inquietude. Nessa condição, editou livros e revistas técnicas, entre eles a Revista Desafio ao Vestibular, uma coletânea de 10 fascículos. Na área da educação, foi ainda um dos colaboradores da coleção voltada para escolas e professores, hoje chamada Nova Escola, também da Abril. Além de ter participado da criação de várias outras publicações, sua ampla e diversificada experiência sempre fez dele um profissional requisitado para projetos de consultoria na área gráfica e de embalagem.
O início no mercado de embalagem
Em março de 1988, Hiraishi cria a revista FC Embalagem, lançada pela Editora Crisol, que também publicava a revista FC Gráfica, fundada em 1978. Dois anos depois, em agosto de 1990, ele lança a revista embanews, dessa vez, pela sua própria editora, a Novaeditora.
É o início de uma publicação marcada pelo seu pioneirismo, no incipiente, mas já febril mercado de embalagens.
A edição nº 1 de embanews traz entrevista de capa com a Sidel, que iniciava suas atividades no Brasil, descortinando ao país a ainda desconhecida tecnologia da embalagem PET. Com a colaboração de Hiraishi, a Sidel realizou na sede da Fiesp um dos primeiros seminários sobre o tema no Brasil. Na número 2 de embanews, outra tecnologia pioneira foi pauta da reportagem: a codificação ink jet. Foram tempos de grande excitação para o mercado de embalagem, de quebra de paradigmas; desde então, a revista embanews vem acompanhando de perto a evolução do setor, trazendo sempre novas questões à luz do debate.
Um de seus mais caros projetos também nasceu por esta época. A concepção do Prêmio Brasileiro de Embalagem Embanews se deu durante uma visita ao Salon Emballage, em Paris, quando Hiraishi assistiu pela primeira vez à cerimônia de entrega do Oscar de L'Emballage. Dois anos depois, em 1992, seu sonho se materializa, na realização da festa do 1º Prêmio Brasileiro de Embalagem Embanews, no Plataforma, casa de shows localizada na avenida Paulista, reunindo mais de 300 pessoas. Hoje, o Troféu Embanews se destaca como uma das premiações mais tradicionais do setor, revelando todos os anos novos talentos, tecnologias e tendências.
Atuou ainda por seis anos como presidente da ABTG - Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica, e dois anos como presidente da Embala - Sociedade Brasileira de Profissionais de Embalagem e presidente do conselho do IBEM - Instituto Brasileiro de Embalagem.
Com seu temperamento ativo, Hiraishi participou ainda de inúmeras iniciativas que marcaram o setor de embalagem, como as Linhas de Produção de Embalagem, da Brasilpack, organizada pela Alcantara Machado, que trouxe de forma pioneira a demonstração de operações de linhas de embalagens em tempo real. Foi também idealizador do Fórum de Debates sobre Gestão da Competitividade da Indústria de Embalagem e seus Usuários junto com o Instituto Mauá de Tecnologia.
Sempre trabalhou na idealização de novos projetos, em busca de promover a transformação tecnológica, através de sua força intelectual, da pesquisa e do prazer em servir. Sua mais recente contribuição foi a criação da revista Packnews Latina, publicação em espanhol, voltada para os países da América Latina, da Argentina ao México.
Ele ainda tinha muitos sonhos. Não pôde realizá-los todos, pois enquanto vivesse sempre haveria outros sonhos a impulsioná-lo.